sábado, 24 de dezembro de 2016



SÃO 25 mil olhos, todos voltados para a mesma porta. TUDO por uma especulação:
- Quem há de ser o Prêmio Rapticula 2016?
A porta travou ontem, parecia de propósito. Por conta disso, o nome ficou preso, suspenso, sustentado pelas aventuras que ela sempre propõe aos seus leitores. Até que um passarinho de mil asas, desejoso de outros voos, pousou no fio do poste daquela rua, rua da Fundação Rapticula e fininho assoviou o nome dela. Mas, antes fez todo um floreio no seu cantar e, num Rodopio:

Andorinha me tonteia
quando cravo os olhos nela.
Eu debruçado na janela,
ela voa, voluteia,
voa ao alto, vem, mergulha.
Quem me dera ir num pulo
bater asas junto dela.

                  p.6.

A imprensa olhou pro céu, enquanto um avião fumaceiro escrevia o nome dela anunciando:
Líria Porto vence o Prêmio Rapticula de Literatura na categoria: Desobediência das Palavras.

O prêmio será entregue no próximo outono da região Norte.

Enquanto isso, Folha de São Paulo,The New York Times e Le monde desceram a ladeira para escrever a notícia em primeira-mão.



segunda-feira, 30 de maio de 2016




GISELLE RIBEIRO GANHA O PRÊMIO RAPTICULA DE LITERATURA 2016
       Categoria: POESIA com língua de fogo


   Quando Safo, poeta grega do séc. VII a.C abandonou aquela ilha, cruzando a ponte da vida, entregou o seu fado a outro poeta de nome Pierre Louÿs, um belga do século XIX. Dias e anos se passaram. Talvez décadas. Talvez séculos para que o fado fosse recebido e aceito por outra poeta e bem aqui, no coração da Amazônia, em pleno século XXI, o poeta e ensaísta Affonso Romano de Sant'Anna anuncia a boa nova: O Brasil tem uma poeta com língua de fogo, que escreve com um erotismo vivo e reinventado.
    Ela mora no Norte e vive disfarçada de silêncios. Bem poucos sabem dela, mas quando ela crava a sua língua de fogo no ouvido do mundo, digam depressa quem conseguem escapar das verdades do amor? Do amor construído com cuidados na linguagem, mas que não se deixa vencer pelos olhares da moral.
    E vem da voz de Affonso Romano de Sant'Anna a boa nova: Giselle Ribeiro vence o Prêmio Rapticula de Literatura 2016, na categoria POESIA com língua de fogo, porque o fogo é aceso desde a dedicatória do livro "69":


    "Aos que se libertam do pudor, porque deles é o reino do amor."


     E Safo de onde está beijou os olhos de Deus e pediu licença para descer e vim aqui nesta página ler um único poema que fosse do livro prometido:


DOS LAMPEJOS DO AMOR


E se chamasse os astecas ou incas?


Possivelmente, minha pequena Clara,
os olhos deles trariam a antecâmara celeste,
aquele lugar para onde iriam te levar
E quanto a mim, perderia um certo brilho
do que é de ti e invade o meu olhar.


Aqui Morpho Menelaus,
te dei o nome Clara Morpho,
meu epíteto de Afrodite,
o amor está entre nós,
não corremos nenhum risco.


Mas liberdade é também teu nome.
Não te quero presa minha
tampouco te roubar da vida.
Teu nome reconheço: liberdade
e o meu: medo.


Minha pequena Clara
de asa azul-turquesa acetinada
marquemos no relógio
as horas que tu me queres namorada.


        (Giselle Ribeiro, p. 26 do livro "69" poemas de amor erótico)


* Este Prêmio é contra indicado para pessoas que acreditam em verdades inventadas. Em caso de suspeita de verdade absoluta, consulte a poeta imediatamente.



domingo, 18 de outubro de 2015


PRÊMIO Rapticula de literatura
ofídios, cobras, mbóis, mboias e malacatifas... Bem no meio de um verão escaldante a serpente sai pelo mundo, revira os olhos de uns, estremece a razão de outros, rompe o fino lacre do poder que tem certas palavras, as escolhidas e então escritas na melhor ordem possível.

É assim que ELA escreve na pele nova da serpente. Pele nova. Sempre nova. Cada vez mais nova, porque “literatura é Novidade que permanece Novidade”. E é assim também que escutamos da voz de Ezra Pound o anuncio do dia: Sai o prêmio Rapticula de Literatura na categoria NOVIDADE do INDIZÍVEL.

Mas quem ousou escrever na pele da serpente? Quem assumiu o risco da picada de certas palavras e soube então dizer da sua ofidiofilia?

ELA é ítalo-brasileira, nascida na Eritreia, uma colônia italiana, mas soube nascer também aqui nesse mundão chamado Brasil e aqui se fazer moça, uma moça tecelã.

Senhoras e Senhores anunciamos o Prêmio Rapticula de Literatura 2015, na categoria NOVIDADE do INDIZÍVEL recebido por Marina Colasanti com seu livro “Hora de Alimentar Serpentes”.

Acompanhe um pedaço da pele da serpente:

DÉCIMA HISTÓRIA DE INSÔNIA

- Você sabe porque te chamei? pergunta o homem ao cordeiro.

- Sei. responde o cordeiro confiante -, para que eu pule a cerca e mate a tua insônia.

- Perdeu! diz o homem Para tirar tua pele e fazer um casaco, para tirar tua carne e fazer um churrasco. Não sem antes cortar tua garganta e oferecer-te a Deus. p. 365, 2013.

                       

sexta-feira, 7 de março de 2014

Michelle Cunha e o Prêmio Rapticula 2014

Michelle Cunha ganha o mundo. O mundo ganha Michelle Cunha.
A
Arte
    é luz
    é sina.

A
Arte
     me aluzcina.
Quero
     aluzcinarte.
 
     Esses são alguns versos de Affonso Romano de Sant'Anna. Essa também é a proposta da vencedora do Prêmio Rapticula do ano de 2014. Na categora "Eu vejo a vida por cima e por dentro do muro", Michelle Cunha vence e avança na frente com a sua bandeira de Mulher forte, com olhar forte, resistindo aos vendavais que esta vida lhe oferece.
     Saiu de Belém, no Norte, seu lugar de origem, para morar em Brasília, e por lá deu nova cor à cidade, sempre tão carrancuda, Brasília se encheu de graça com a passagem desta artista. Depois de ouvir as risadas de Brasília, volta à Belém, porque, talvez, Belém precise novamente dela para compor paisagens mais humanas. Perde-se a humanidade por aqui. Avisam os nativos. E ela veio, resgatar essa humanidade, já quase totalmente perdida.
 
     
     Quando a Instituição Rapticula soltou a notícia, o eco chegou até outros países. Foi assim na França com o jornal "Le Monde" que anunciou tudo em primeira mão. Depois, as outras mãos foram liberadas para outros píses. E foi assim que Michelle Cunha ganhou o mundo e o mundo ganhou Michelle Cunha!
      Enquando isso, a Instituição Rapticula anuncia, para os desavisados, que esse Prêmio tem caráter ilusório, como a melhor parte das nossas vidas.    

 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

IN BUST é o vencedor do grande Prêmio Rapticula de Literatura


IN BUST é o vencedor do grande Prêmio Rapticula de Literatura
                                          na categoria As Funções do Imaginário

Todos os Jornais escritos e falados entram na fila pretendendo anunciar o vencedor. Na Instituição Rapticula, os olhos se voltaram para a porta de entrada e saída, isso tudo quando ainda era madruigada do dia 23 de maio de 2013 e o mensageiro entregou nas mãos de um repórter desconhecido o nome daquele que será lembrado como o caminho para a visão do passado, presente e futuro, porque traz em si, o que Alberto Maguel considera ser fundamental: “possuir um texto não apenas lendo atentamente as palavras, mas tornando-se parte de si mesmo.”
Para a decisão do júri, foi necessário visitar, algumas vezes a XVII Feira Pan-Amazônica do Livro na tentativa de encontrar aquele que será a marca viva das Funções dos Imaginário sabendo que “suas comunicações não devem ser dadas ou tomadas com os lábios e a ponta da língua, mas com o fulgor da face e o coração palpitante”. E quem esteve no Espaço Infantil da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, conheceu as histórias "Fio de Pão - A lenda do Cobra Norato, Pinóquio, Curupira, Catalendas e se lambuzou todo de encantamento. 
Dito isto, há um nome que se fez vivamente marcado na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro e por tantos dias iluminou o presente com as histórias do passado.
E o repórter desconhecido anunciou no jornalzinho da sua escola primária:
IN BUST É O VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO RAPTICULA DE LITERATURA
na categoria “As Funções do Imaginário

NOTA DE ESCLARECIMENTO: Rapticula é, antes de tudo, o coração de uma poeta faminto pela arte poética e que resolveu soltar a voz e mostrar aos que aqui passam o ouro da nossa existência.
  

 

  

sábado, 5 de janeiro de 2013

NOTA DE ESCLARECIMENTO: PRÊMIO LUMIÈRE PARA A HUMANIDADE.

 
 
          Devo dizer que a idéia do Prêmio Rapticula: "Lumière para a Humanidade" é toda ficcional, ou seja, faz parte do imaginário, de um pensamento irreal, do desejo do reconhecimento de grandes trabalhos literários. E o leitor atento, ou o verdadeiro leitor descobriria esse tom ficcional de forma bem fácil, caso ele se permitisse ler os textos do blog, mas lê-los de verdade, ler o que está explícito e implícito, o que está nas linhas e o que está escondido entre elas.
           
          Explico ainda que o blog "NÃO recomendado para os outros", pretende fazer das premiações Rapticula um detector de bons leitores porque considera o avanço tectológico mais um instrumento para a boa formação de leitores, difundindo as produções literárias e os grandes projetos. Por isso alerta: A tecnologia deve existir para o crescimento do nosso pensamento. Para isso deve existir a tecnologia.

          Concluindo: a humanidade se entenderia mais se aprendesse a ler os livros, os artigos, as pessoas, o mundo e os seus contextos.

          O Prêmio Rapticula, na categoria Lumière para a Humanidade é ficcional, mas o desejo de reconhecimento de alguns belos trabalhos literários é bem real. Pois é de Lumière que a humanidade precisa.

Luz. Muita Luz.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LE MONDE E THE NEW YORK TIME ANUNCIAM: ney Ferraz Paiva é o novo prêmio Raptcula de Literatura, categoria Poesia (des)Necessária ?


Apenas dois jornais reservaram um espaço pequeno de duas páginas inteiras para anunciar, não o fim do mundo, mas uma parte do que vem depois do fim.
 E, ponta a ponta das duas páginas seguiam com a entrevista do poeta Ney Ferraz Paiva que desviando o olhar dos flashes, acertava em cheio os repórteres com suas respostas em profundidade. E assim, todos entendiam o resultado do tão esperado Prêmio Rapticula de Literatura, na Categoria Poesia (des)Necessária?

Em entrevista para os jornais The New York Time e Le Monde, Ney Paiva disse nem mesmo saber que estaria disputando um prêmio literário. Não sabe, até os dias de hoje, como o nave do nada (nome da obra vencedora) foi parar nas mãos do júri do Prêmio Rapticula de Literatura.
E quando foi interrogado da importância do prêmio e da categoria, o poeta disse que nunca pensou ser companhia dos clássicos nas estantes e disse saber que a categoria Poesia (des)Necessária deveria ser tão respeitada, porque julga que os livros deveriam estar nas mãos dos leitores e não fechados em certas estantes ao lado de nomes conhecidos de obras nem sempre lidas.
Talvez o nave do nada tenha sobrevoado tantos espaços vazios, tantas cabeças desocupadas e por isso tenha feito um pouso forçado nas fronteiras do júri Rapticula.

Talvez Deus saiba dizer do percurso e da chegada do nave do nada neste novo destino. Mas eu sou ateu e não tenho interesse algum em perguntar pra ele.
Disse Ney Ferraz Paiva na sua entrevista de duas páginas dos jornais Le Monde e The New York Time.

         E seguimos com um pequeno pedaço da asa do nave do nada:

Sentado na cadeira do poeta
                                           Eu vi o mar
o mar & sua serpente sépia
o fervor a pronúncia áspera das águas
de uma palavra que conduza os mortos para o outro mundo
boca que a loucura gostaria de ter
mar em que o último irmão se removeu até o fundo
arrastado pelos pássaros
                                           cansado de nada encontrar
 tudo o que não fala tem uma segunda morte.
 

                                                         nave do nada. p.73

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

POETA GISELLE RIBEIRO GANHA PRÊMIO RAPTICULA DE LITERATURA

 
            Deu em todos os jornais da cidade, em todos os jornais do estado, em todos os jornais do continente: poeta Giselle Ribeiro ganha prêmio Rapticula de Literatura.
         Convocada para uma coletiva, a poeta não compareceu, não justificou a ausência, tampouco se desculpou.
         Os jornalistas presentes na coletiva tiveram que se contentar com a ausência da poeta para falar do assunto. E as tentativas de ter o que dizer foram nulas.
          Soube-se, porém, no início da noite da coletiva, que a poeta foi mandada a um hospício e lá se mantém desfilando a sua alta costura.
          Soube-se também, que a poeta Giselle Ribeiro ganhou o Prêmio Rapticula de Literatura com livro que jamais foi, nem nunca será publicado.
            Para saber mais,ou menos, leia os jornais da cidade, do estado, do continente
ou visite o hospício para onde a poeta foi mandada:
 
      
Assim fica dito. Assim será.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

MARIA LÚCIA MEDEIROS. MENTIRAS E VERDADES NO MESMO CHÃO

 ilustração João Caetano
 
          Não me negues a palavra. Pelas artes de uma palavra segui sozinho ouvindo o grito de outros companheiros a percorrer outro caminho. Naquele tempo, senhora, os pântanos me atraiam e os arrepios do meu corpo aumentavam a visão dos esverdeados, meu corpo fremia. Não me negues a palavra. Pelas artes de uma palavra abri picada diferente que não me levava ao bosque. Ouvia meus companheiros rirem e chorarem fascinados com as veredas, os frutos quase ao alcance das mãos. O meu caminho, senhora, tinha reverberações encantatórias, mentiras e verdades no mesmo chão e o veneno das folhas eu só podia descobrir pelo exercício do meu paladar e do meu corpo. Poderá algum coração, senhora, saber das tantas vezes que tive a beira da morte pelas ânsias de saciar o meu desejo?

          Enquanto meus companheiros avançavam em rodopios e encantamentos, eu vencia distâncias tão pequenas que me parecia estar sempre no mesmo lugar.

          Não me negues a palavra de cujas artes se nutriu tanto exílio pois se assim o fizeres estarás negando a permissão e as promessas. Não é esse o silêncio de que preciso para atravessar a floresta. Imposto o sossego me faltarão os sons articulados, os ruídos para que não percamos a memória. Não me negues a palavra para que a trilha não se altere nem as perspectivas sejam removidas.

Maria Lúcia Medeiros. Quarto de hora, 1994.p.53.


MARIA LÚCIA MEDEIROS - "A FRONTE PÁLIDA"

ilustração de João Caetano. Roubada do livro A maior flor do mundo
                                               
         
          Nasceste em noite de loucura, nascituro sim, e os primeiros sinais foram precedidos por arrepios fugazes de um gozo inocente, prazer restituído, aproximação maravilhosa, encontro aquecido a cada segundo em que tua imagem mergulhava em nitidez.

          Ver teu ombro primeiro, depois a nuca e ver ainda inflamar-se o desejo de trazer-te inteiro, arrancar-te do limbo das nebulosas, acariciar com o meu temor a fronte pálida. Tomar-te nos braços e iniciar o rito banindo primeiro a malícia, os arrependimentos, a mentira.

          Escolher as palavras, as sagradas sim, iniciar o gestual do encantamento, o eterno rir, proteger teu corpo buscando a perfeição. Não ter descuido, antes cuidar para que a insensatez não se enredasse nesse enredo.

         Sensível, desprezar o perverso, fugir dos malefícios. Umedecer teu chão, plantar-te, nomear-te, fazer-te verbo. Vigília iniciada, vigília empreendida, localizar casa e casal, demarcar território e edificar o tempo da memória.

         Houve que um dia nem pela terceira vez o cantar do galo foi ouvido. Um malsinado gesto interrompeu origem e saga e, para punir o sono da vigília, a dor foi imposta sem misericórdia.

 
                                                                 do Quarto de hora. p.47.
 

OS GLÓBULOS NEGROS DE GEÓRGIA CORRÊA MARQUES

 Colagem: Geóriga Corrêa Marques

Tenho inscrito no pêlo do leopardo 
           vários nomes que são meus

Vou junto com a barba rala do homem velho            
           que quase caminha pela praia

Às vezes eu sou a bala rápida       
          atravessando o coração do cimento

Mas não venha me dizer que sou
         o beijo de namorado
         lábio dente língua cabelo
         no banco da praça

        Nem o traço doido da paisagem
        criança música
        o cheiro de livro velho

 Talvez eu seja sim
       o beijo e o deserto feio da criança

Talvez nem seja o meu nome
       que corre pelas savanas caçando zebras

Nem barba lâmina velho areia
Nem projétil rápido
       (lendo porque em coração
                  nada é ligeiro
        tem que ser atemporal
        navegar o sangue devagar
                   até o pulmão – voz louco
                   grito sopro.)
                  
Geórgia Corrêa Marques. Glóbulos negros. 1995. p. 25

 


 

 
 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BIOGRAFIA DESNECESSÁRIA

A escritora Giselle Ribeiro é foucaultiana e, vez por outra, registra o seu pensar o autor. E o que quer dizer ser foucaultiana? Quer dizer que a escrita literária deve ter um lugar mais seguro, sagrado, reservado ao leitor, quer dizer também que o autor deve sair da cena para dar vez a voz poética. E foi esse pensar que gerou o poema "Biografia Desnecessária", dedicado à escritora Fernanda Young:
Fernanda Young

BIOGRAFIA DESNECESSÁRIA

Fernada Young na infância,
sofria de asma,
o ar lhe parecia pouco,
muito pouco.

Mas as palavras
sempre lhe pareceram muitas
ou tantas...

Por isso cresceu poeta.

          (do Pequeno Livro de Poemas para Vestir Bem. p. 9)